A História do Sal no estado do Rio Grande do Norte, no nordeste do Brasil, remota ao período colonial quando Pero Coelho de Souza registrou no início do século XVI, as salinas por ele vislumbradas em Amargoso, Guamaré, Macau e Areia Branca.

A História do Brasil (1550-1627) registrada por Frei Vicente do Salvador referiu-se às salinas do nordeste como “onde naturalmente se coalha o sal em tanta quantidade que podem carregar grandes embarcações todos os anos, porque assim como se tira um, se coalha e cresce continuamente outro”. Esta riqueza também deve ter chamado a atenção dos holandeses, a partir de um relatório de Adriano Verdonck sobre a existência de extensos depósitos naturais de sal alvíssimo, mais forte que o espanhol.

Na segunda metade do século XVIII, o Rei de Portugal permitia o consumo do sal indígena apenas dentro das terras potiguares, visto que todo o sal consumido na corte era proveniente da Europa. Nos meandros dessa história, ocorreram muitas investidas pela posse ou pelo monopólio da produção salineira Potiguar.

A exportação do nosso sal para as outras Capitanias, só foi possível a partir de 1808, quando D. João VI publicou a Carta Régia, na qual ordenava a extração e o livre comércio dentro do reino, não impedindo, todavia, a importação do sal.


A prosperidade só chegou depois da República. O monopólio salineiro fincava suas raízes, fruto de um dos últimos atos Imperiais, a “Concessão Roma”, que permitia a implantação de salinas em terrenos desocupados. Esta concessão foi feita em 26 de outubro de 1889 ao Sr. Antônio Coelho Ribeiro Roma, que permitia a exploração sal Norte-riograndense desde Mossoró até Guamaré, durante 30 anos.


A executora deste empreendimento foi a Companhia Nacional de Salinas Mossoró-Assu, tendo suas atividades efetivadas durante o Governo de Joaquim Ferreira Chaves em 1897. Posteriormente, esta concessão foi transferida para a Empresa de Sal e Navegação, a qual teve um maior desempenho. Tal monopólio, pela sua nocividade, durou apenas até 1914, nascendo então a livre concorrência.

Durante meio século, diversos problemas afligiram os produtores de sal, como o elevado custo de transporte, que encarecia o produto frente ao sal importado, formando assim uma forte concorrência que ameaçava o sal Norte-riograndense.


Grandes investimentos só começaram a ser feitos com a entrada de capital estrangeiro após 1964. As indústrias consumidoras de sal cresciam, e com isso era pertinente a modernização do parque salineiro, fazendo com que muitos produtores cedessem aos grupos estrangeiros. Com o incremento produtivo foi inaugurado em 1974 o Terminal Salineiro, por onde o sal ainda hoje escoa e ganha o mundo.


Através do tempo, o homem aprendeu que a produção econômica é determinada por um meio-ambiente saudável. Hoje em dia no Nordeste Brasileiro, o processo produtivo do sal dá ênfase ao entendimento do ecossistema de onde o sal é criado.


O Estado do Rio Grande do Norte


A linha da costa do estado do Rio Grande do Norte corresponde a uma área de grande complexidade e dinamismo, tendo a sua zona litorânea uma fisionomia diversificada, passando por salinas, restingas, dunas, mangues, estuários, complexos vegetacionais da zona litorânea e caatinga. Apresentando uma insolação média de 2.800 horas de luz solar por ano, baixa pluviosidade, ventos contínuos, e altas taxas de evaporação.


O estado do Rio Grande do Norte é considerado uma ótima localização para a implantação de companhias salineiras. Na realidade com uma produção de sal de 4 milhões de toneladas numa área de produção em torno de 40.000 ha, a indústria salineira tem um importante papel econômico no estado, sendo o Rio Grande do Norte responsável por mais de 95% da produção salineira brasileira.